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Migalhas de pão

Relatório de Estabilidade Financeira do Setor Segurador e dos Fundos de Pensões - março 2026

A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) publica hoje o seu Relatório de Estabilidade Financeira do Setor Segurador e dos Fundos de Pensões (REF), incorporando a perspetiva atual do desempenho dos setores segurador e dos fundos de pensões nacionais até ao terceiro trimestre de 2025, procurando identificar o conjunto de influências a que estes se encontram expostos e os correspondentes impactos, de natureza conjuntural e estrutural, para o seu desempenho. Sempre que disponível, é considerada informação setorial reportada ao final do ano 2025. 

No primeiro capítulo, são abordados os desenvolvimentos mais recentes da conjuntura macroeconómica global, que prossegue sob um cenário de elevada incerteza e tensão geopolítica, recentemente agravado, em resultado da escalada da guerra no Irão, sendo que, os impactos paras economias europeia e nacional dependerão, em grande medida, da duração desse conflito. A evolução da atividade específica dos setores segurador e dos fundos de pensões, com ênfase no terceiro trimestre de 2025, é aprofundada no capítulo segundo do relatório. No capítulo terceiro, é apresentada uma análise temática contemplando os principais resultados do quinto exercício europeu de Stress Test (ST) da EIOPA às instituições de realização de planos de pensões profissionais (IORPs), para o conjunto de fundos de pensões nacionais abrangidos. 

Em 2025, a atividade dos setores segurador e de fundos de pensões desenvolveu-se num contexto macroeconómico e geopolítico marcado por elevada incerteza. A intensificação da guerra no Irão, já em 2026, veio agravar este cenário, introduzindo riscos adicionais, designadamente, de caráter inflacionista (por via da componente energética).

A nível nacional, merecem destaque os impactos do conjunto de tempestades que afetou o país no início de 2026, cujas perdas estimadas para o setor segurador, deverão superar os 750 milhões de euros.  No curto prazo, a experiência face a eventos semelhantes demonstra que eventuais efeitos (da destruição de tecido produtivo) sobre o Produto Interno Bruto (PIB), tendem a ser compensados pelo subsequente esforço de reconstrução. O impacto económico a médio prazo dependerá, em larga medida, da dimensão das perdas verificadas e da rapidez na reposição (ou substituição) das unidades produtivas afetadas.

Em matéria de solvência, o setor segurador apresentou uma evolução positiva. Em dezembro de 2025, os rácios de cobertura do Requisito de Capital de Solvência (SCR) e do Requisito de Capital Mínimo (MCR) situaram-se em 213% e 557%, respetivamente, refletindo uma melhoria homóloga de cinco e onze pontos percentuais, respetivamente. Também no que se refere aos resultados provisórios do setor segurador, em 2025 estes apontam para um resultado líquido de 654 milhões de euros, evidenciando uma melhoria face ao ano anterior.

Ao nível da produção de seguro direto, em 2025, o aumento da produção do ramo Vida deverá rondar os 16,4%, impulsionado pelo forte crescimento dos produtos ligados, enquanto o crescimento dos ramos não vida deverá situar-se em 11%. Este último, reflete uma tendência de crescimento transversal aos principais segmentos, com particular destaque para os desempenhos do seguro Automóvel e do ramo Doença.

No caso específico do grupo de ramos de Incêndio e Outros Danos, em 2026 o respetivo desempenho deverá sofrer uma pressão significativa em virtude do impacto das tempestades ocorridas no início do ano, cujo impacto final para o setor dependerá das coberturas de resseguro contratadas pelas empresas de seguros.

No setor dos fundos de pensões, o património gerido atingiu 19,5 mil milhões de euros em setembro de 2025, um aumento de 1% face ao final de 2024. A rendibilidade média foi de 2,3%, representando um abrandamento face aos dois últimos anos.

Por fim, na análise temática do relatório, são apresentados os resultados do quinto exercício europeu de stress test conduzido pela Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma (EIOPA) em 2025. O exercício teve como objetivo avaliar a resiliência das instituições de realização de planos de pensões profissionais (IORPs) face a cenários adversos de mercado, com particular incidência sobre o risco de liquidez. Para a amostra nacional, os resultados revelam que os fundos de pensões portugueses dispõem, de forma geral, de liquidez imediata ou capacidade suficiente de geração de fundos para absorver choques adversos de curto prazo. Ainda assim, a persistência de fatores de risco reforça a importância de assegurar mecanismos eficazes de gestão e monitorização do risco de liquidez.

Consulte o Relatório de Estabilidade Financeira do Setor Segurador e dos Fundos de Pensões - março 2026

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