Para uma pesquisa mais direcionada, coloque o termo a pesquisar entre aspas.
Exemplo: "Circular n.º 8/2021"

Migalhas de pão

Relatório da ASF conclui que setor segurador respondeu de forma globalmente robusta e identifica medidas para reforçar a proteção do país

28-07-2026
Seis meses após a tempestade Kristin, o evento mais severo do denominado “comboio de tempestades” que atingiu Portugal entre janeiro e fevereiro de 2026, a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) divulga hoje um relatório que analisa o papel desempenhado pelo setor segurador durante esta crise sem precedentes, identifica as principais lições aprendidas e apresenta recomendações destinadas a reforçar a preparação para futuros eventos extremos.

O “comboio de tempestades” provocou perdas globais estimadas atualmente em cerca de 5,3 mil milhões de euros, dos quais apenas 26% se encontram cobertas pelo setor segurador, revelando uma significativa lacuna de proteção na sociedade portuguesa. 

 

Consulte a Nota de Informação.

Aceda ao relatório "O papel do setor segurador no comboio de tempestades"

 

 

Porquê este Relatório?

A elaboração deste relatório assenta na convicção de que os eventos de grande dimensão devem ser objeto de uma avaliação rigorosa e estruturada, não apenas para analisar o que aconteceu, mas sobretudo para identificar lições aprendidas e oportunidades de melhoria. A sua elaboração constitui uma manifestação de maturidade institucional, assente na análise crítica da experiência, na transparência e na procura contínua de melhorias dos mecanismos de prevenção, resposta e recuperação.

Neste contexto, o relatório analisa a forma como o setor segurador respondeu ao “comboio de tempestades”, identificando os aspetos que revelaram maior robustez e aqueles que evidenciaram necessidade de aperfeiçoamento. Com base nessa análise, são formuladas recomendações concretas dirigidas aos diversos intervenientes do ecossistema segurador, entidades públicas e decisores políticos. O objetivo é contribuir para o reforço da capacidade de resposta do setor, da proteção dos consumidores e da resiliência do país perante futuros eventos extremos. A ASF acompanhará a implementação e evolução destas recomendações, promovendo uma reflexão continuada sobre as medidas necessárias para fortalecer o sistema segurador face aos crescentes desafios colocados pelos riscos climáticos.


Lacuna de proteção

O relatório confirma a existência de uma elevada lacuna de proteção em Portugal face a fenómenos naturais extremos. Embora as perdas económicas totais estejam atualmente estimadas em cerca de 5,3 mil milhões de euros, apenas cerca de 1,4 mil milhões de euros estavam protegidos por contratos de seguro, o que significa que aproximadamente 74% dos prejuízos ficaram sem cobertura seguradora. 
Com efeito, cerca de metade dos imóveis nas zonas mais afetadas não dispunha de cobertura adequada para danos em edifícios e apenas uma percentagem reduzida das empresas tinha proteção para perdas de exploração resultantes da interrupção da atividade. 


Reforçar a transparência e a proteção dos consumidores

O relatório identifica também dificuldades na compreensão das coberturas e exclusões dos contratos de seguro.

Apesar da dimensão do evento, o nível de reclamações manteve-se relativamente reduzido face ao volume de sinistros participados. Até ao início de julho de 2026, a ASF tinha aberto cerca de 260 processos de reclamação relacionados com o “comboio de tempestades”, equivalentes a aproximadamente 1,2 reclamações por cada mil sinistros nos seguros de incêndio e outros danos. Nas reclamações analisadas pela ASF, a intervenção do supervisor contribuiu para que cerca de 38% tivessem um desfecho favorável aos reclamantes.

As reclamações analisadas evidenciam, ainda assim, situações em que as expectativas dos consumidores não correspondiam à proteção efetivamente contratada, sobretudo em matérias relacionadas com exclusões, subseguro ou danos indiretos. 


Preparar o setor para um novo perfil de risco climático

O relatório conclui que fenómenos meteorológicos extremos deixaram de poder ser encarados como acontecimentos excecionais.

Entre as medidas recomendadas destacam-se o reforço dos planos de resposta a catástrofes, a realização de exercícios de simulação, a revisão dos modelos de avaliação de risco climático, o recurso mais intensivo a ferramentas de georreferenciação, a definição de indicadores específicos para contextos de crise e o reforço da capacidade operacional para responder a um elevado volume de sinistros em períodos curtos de tempo. 

  • 5,3 mil milhões de euros de perdas económicas estimadas;
  • 1,4 mil milhões de euros de perdas protegidas por contratos de seguro;
  • Apenas 26% das perdas económicas estavam cobertas por seguros;
  • 218 mil sinistros participados às empresas de seguros;
  • Mais de 99% dos sinistros já foram objeto de peritagem;
  • Mais de 80% dos prejuízos estimados na habitação já foram indemnizados;
  • 91% das perdas seguras foram suportadas pelo mercado internacional de resseguro;
  • Apenas 8% das unidades empresariais tinham cobertura de perdas de exploração.

Conteúdos Relacionados