Painel de Riscos do Setor Segurador da ASF – Julho de 2026
A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) publica hoje a mais recente edição do Painel de Riscos do Setor Segurador, apresentando o panorama atual dos riscos considerando a informação das variáveis financeiras relativa a 14 de junho de 2026, conjugada com os dados reportados pelas empresas de seguros com referência a 31 de março de 2026.
No período em análise, o perfil de risco do setor segurador manteve-se globalmente estável, mas com uma perspetiva de agravamento em diversas categorias, refletindo um enquadramento caracterizado por tensões geopolíticas persistentes, vulnerabilidades macrofinanceiras, eventos climáticos extremos e riscos emergentes decorrentes da rápida evolução das tecnologias digitais e da inteligência artificial.
Este enquadramento traduz-se, desde logo, no contexto macroeconómico e financeiro em que o setor segurador desenvolve a sua atividade, marcado pela persistência dos conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia, os quais continuam a condicionar o crescimento económico, a dinâmica inflacionista e a condução da política monetária por parte do BCE. Neste âmbito, o risco de crédito reflete as pressões associadas ao efeito do aumento das taxas de juro sobre o custo de financiamento e de refinanciamento da dívida, ao passo que o risco de mercado se destaca pelo seu nível de avaliação médio-alto, traduzindo a persistência de um risco material de correção nos preços dos ativos.
Ao nível da solvabilidade, o rácio de cobertura do requisito de capital de solvência, a nível agregado do mercado, fixou-se em 194,8% em março de 2026, mantendo-se em níveis sólidos, não obstante uma diminuição de 18 pontos percentuais face ao final de 2025, justificada maioritariamente por fatores pontuais. Por ramo de atividade, o ramo Vida evidencia uma trajetória de crescimento estável, ainda que permaneça exposto ao risco de resgates e de quebra da produção, caso as taxas de juro tornem outros produtos de poupança mais competitivos. Por sua vez, os riscos específicos dos ramos Não Vida aumentaram, penalizados pelo aumento dos custos com sinistros e pelo reforço do provisionamento, na sequência das tempestades que atingiram Portugal no primeiro trimestre. Já os riscos de liquidez e de interligações mantêm-se contidos, sem sinais de agravamento significativo.
Os riscos ESG mantêm-se em nível médio-baixo, sendo de assinalar que a sucessão de tempestades registadas em Portugal reforça a materialidade do risco climático. Por fim, os riscos cibernéticos e de digitalização permanecem em nível alto, com perspetiva de agravamento, impulsionados pelo avanço acelerado dos Frontier AI Models.
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