ASF publica primeiro Relatório sobre a Atividade da Mediação de Seguros
A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) publica a primeira edição do Relatório sobre a Atividade da Mediação de Seguros, que reúne num único documento, informação sobre a estrutura do mercado, os canais de distribuição, as remunerações e a atividade regulatória e de supervisão. O objetivo é reforçar a transparência e a informação disponível sobre esta atividade e contribuir para níveis cada vez mais elevados de qualificação e profissionalismo.
Portugal contava, no final de 2025, com 10 024 mediadores de seguros, que desempenham um papel central no funcionamento do mercado segurador e na relação de proximidade com os consumidores. A importância desta atividade assume diferentes expressões nos vários segmentos do mercado, com os mediadores tradicionais a assegurarem a maioria das vendas nos ramos Não Vida e o canal bancário a predominar no ramo Vida. Efetivamente, nos ramos Não Vida, os mediadores tradicionais asseguraram 75,4% das vendas, enquanto no ramo Vida, o canal bancário continuou a ser o principal meio de comercialização, representando 72,5% das vendas.
Os canais de venda direta, incluindo balcões, telefone e internet, mantiveram uma expressão reduzida, representando 3,2% da distribuição no ramo Vida e 7,4% nos ramos Não Vida.
Dos mediadores registados, 9 936 eram agentes de seguros, 66 corretores de seguros, seis mediadores de seguros a título acessório e 16 mediadores de resseguros. Mais de 95% encontravam-se autorizados a distribuir produtos dos ramos Vida e Não Vida.
As remunerações reportadas no âmbito da atividade de mediação atingiram 1 475 milhões de euros em 2025, mais 9,7% do que no ano anterior. Deste total, 390 milhões de euros respeitaram ao ramo Vida e 1 085 milhões de euros aos ramos Não Vida.
Renovação geracional e qualificação são desafios centrais
O relatório identifica a renovação geracional como um dos desafios estruturais da atividade. A idade média dos mediadores de seguros que são pessoas singulares é relativamente elevada, situando-se em 54,1 anos em 2025, e tem vindo a aumentar ligeiramente desde 2021.
A formação constitui, assim, uma dimensão essencial para promover a renovação e assegurar a qualificação dos profissionais. Em 2025, foram realizadas 702 ações de formação de acesso à atividade de distribuição de seguros ou de resseguros, face a 768 no ano anterior. Apesar da redução do número de ações, os formandos inscritos aumentaram de 5 119, em 2024, para 5 446, em 2025.
Supervisão acompanha toda a cadeia de valor
A supervisão da ASF acompanha toda a cadeia de valor da mediação de seguros, desde o acesso à atividade, o registo e a formação dos mediadores até à análise da sua situação económica e financeira, das práticas de comercialização e da forma como os clientes são tratados. O relatório apresenta as principais atuações desenvolvidas pela ASF em cada uma destas dimensões.
Em 2025, a ASF efetuou 349 ações de supervisão no âmbito da mediação de seguros, das quais 298 off-site e 51 on-site. Entre as ações presenciais, 29 foram realizadas através de “cliente mistério” e 22 assumiram a forma de ações credenciadas.
A supervisão incidiu, entre outras matérias, sobre os requisitos aplicáveis aos estabelecimentos e às pessoas diretamente envolvidas na distribuição de seguros, os deveres de informação, a comercialização de contratos, as políticas e os procedimentos internos, os sistemas de comercialização através de redes de distribuição e o exercício não autorizado da atividade.
Em relação à distribuição de seguros, a ASF emitiu 94 recomendações e 276 determinações específicas. Foi igualmente dado início a 28 novos processos por indícios de ilícitos contraordenacionais.
Corretores mantêm posição financeira globalmente sólida
A análise de um conjunto de indicadores prudenciais dos corretores de seguros e dos mediadores de resseguros revela uma posição financeira globalmente sólida.
Em 2025, o rácio agregado de autonomia financeira situou-se em 40,8%, o rácio de solvabilidade em 69% e o rácio de liquidez geral em 144,2%, mantendo-se todos acima dos mínimos regulamentares de 15%, 20% e 100%, respetivamente. Importa ainda referir que a rendibilidade dos capitais próprios fixou-se em 22.2%.
Digitalização sem perda do valor humano
O relatório antecipa uma transformação crescente dos modelos de negócio, impulsionada pela digitalização, pela utilização de dados e pela inteligência artificial. Estas ferramentas poderão apoiar os mediadores no processamento de informação, na identificação das necessidades dos clientes, no aconselhamento e na prestação de serviços. A sua utilização não afasta, contudo, a responsabilidade dos operadores pelo cumprimento dos deveres legais aplicáveis, nem pode comprometer a proteção dos consumidores.
Para a ASF, um dos principais desafios consiste em integrar a tecnologia na atividade sem perder o acompanhamento personalizado, a independência de julgamento e o valor humano que sustentam a necessária relação de confiança entre os mediadores e os seus clientes.
O futuro da mediação dependerá, assim, da capacidade de as empresas aumentarem a eficiência e melhorarem o serviço prestado, sem perder a proximidade, a capacidade de julgamento e a qualidade do aconselhamento.
A qualificação dos profissionais, a transparência das remunerações, a prevenção de conflitos de interesses, a qualidade do aconselhamento e o valor efetivamente entregue ao consumidor continuarão a assumir uma importância crescente para o mercado e para a supervisão.
Consulte o Relatório sobre a Atividade da Mediação de Seguros - 2025