Publicação do Relatório do Setor Segurador e dos Fundos de Pensões 2025
A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) publica o Relatório do Setor Segurador e dos Fundos de Pensões (RSSFP) relativo à atividade no ano de 2025.
O RSSFP disponibiliza um conjunto alargado de informação financeira e estatística e analisa de forma detalhada a evolução dos setores nacionais de seguros e de fundos de pensões, constituindo um documento de referência para os vários intervenientes no mercado, assim como para o público em geral.
O Relatório é composto por três capítulos, começando pela caracterização da envolvente macroeconómica, internacional e nacional, ao longo de 2025. Posteriormente, é abordada, de forma pormenorizada, o setor segurador e, finalmente, o setor dos fundos de pensões.
Em 2025, a evolução dos setores segurador e dos fundos de pensões ocorreu num contexto marcado por elevados níveis de incerteza e pela persistência de riscos económicos, geopolíticos, tecnológicos e sociais. A evolução da inflação, das taxas de juro e dos mercados financeiros, bem como o risco de correções nos preços dos ativos financeiros, continuaram a justificar uma monitorização atenta dos riscos suscetíveis de afetar os modelos de negócio e as condições de exercício da atividade.
Ao nível do setor segurador, a produção das empresas de seguros abrangidas pela supervisão prudencial da ASF aumentou 14,3%, atingindo 15,2 mil milhões de euros, evolução acompanhada por uma melhoria dos resultados e dos níveis de solvência. Considerando a totalidade da atividade de seguro direto em Portugal, incluindo as sucursais de empresas sediadas noutros Estados-Membros da União Europeia e a atividade em livre prestação de serviços, a produção global cresceu 10,9%, para aproximadamente 19,5 mil milhões de euros.
O crescimento da atividade seguradora foi transversal aos segmentos Vida e Não Vida. No ramo Vida, a produção aumentou 15,6%, ultrapassando os 7,7 mil milhões de euros, impulsionada, em particular, pelos seguros ligados a fundos de investimento, cuja produção cresceu 58,3%. Por seu turno, a produção dos ramos Não Vida aumentou 13%, para cerca de 7,5 mil milhões de euros, tendo todos os seus principais segmentos registado um aumento dos prémios.
Em matéria de solidez financeira, verificou-se um reforço da posição global de solvência das empresas de seguros. O rácio de cobertura do Requisito de Capital de Solvência (SCR) aumentou 3,3 pontos percentuais, para 211%, enquanto o rácio de cobertura do Requisito de Capital Mínimo (MCR) subiu 8,3 pontos percentuais, para 556%. Os fundos próprios elegíveis para cobertura do SCR aumentaram 10,8%, para 8,2 mil milhões de euros, mantendo-se uma elevada proporção de fundos próprios de nível 1.
No setor dos fundos de pensões, manteve-se uma evolução positiva. No final de 2025, encontravam-se em funcionamento 238 fundos de pensões, com um património total de 19,9 mil milhões de euros, representando um crescimento de 2,9% face ao final do ano anterior. Os ativos associados a planos individuais registaram um crescimento de 19,5%, destacando-se os fundos PPR, cujos ativos aumentaram 22,3%, para aproximadamente 1,4 mil milhões de euros. O número de participantes nos fundos de pensões aumentou igualmente, em 7,8%, para cerca de 545 mil pessoas.
Apesar desta evolução favorável, a dimensão do universo de participantes continua a limitar o contributo dos mecanismos complementares de reforma para a adequação futura das pensões. Num contexto de envelhecimento demográfico, o alargamento da cobertura e o incentivo à poupança de longo prazo permanecem, assim, desafios relevantes.
Os resultados alcançados em 2025 confirmam a resiliência e solidez financeira dos setores segurador e dos fundos de pensões, suportadas por níveis elevados de capitalização e por uma capacidade reforçada para absorver perdas e cumprir os compromissos assumidos perante tomadores de seguros, segurados, beneficiários e participantes, incluindo em cenários adversos.
Não obstante, importa manter uma monitorização permanente dos riscos e uma capacidade de adaptação às transformações económicas, tecnológicas e sociais. Neste âmbito, assumem particular relevância três desafios estruturais: a redução das lacunas de proteção face aos riscos de catástrofes naturais, o reforço da canalização da poupança para investimento produtivo e rentável e o fortalecimento da resiliência operacional digital das entidades. A resposta a estes desafios será determinante para preservar a confiança e a proteção dos consumidores e assegurar a preparação dos setores para os cenários adversos e as transformações dos próximos anos.
Consulte o Relatório do Setor Segurador e dos Fundos de Pensões 2025